sábado, 10 de maio de 2008

CDs, compressão e compactação

A confusão com os MP3s e os CDs é enorme.
Recentemente, em uma discussão amigável em uma lista eu tive que parar pra perguntar:
"Vcs já pararam pra se perguntar pq um CD com 700Mb, não consegue ter mais do que 80m de música?"
Vamos ver se eu consigo explicar o complexo de uma forma simples.
O CD de áudio segue o padrão Red Book (tem lá na Wikipedia) que é o o seguinte "O Red Book especifica os parâmetros e propriedades físicas do CD, a parametrização óptica, sistema de modulação (modulação Eight-to-Fourteen), correção de erros (sistema CIRC), canais de subcódigos e gráficos. Entre as especificações, encontram-se: codificação do áudio digital: 2 canais de 16-bit PCM sampleados a 44100 Hz; a reposta de freqüência: de 20 Hz a 20 kHz; a taxa de bits: 44100 samples × 16-bit/sample × 2 canais = 1411,2 kbit/s (mais de 10 MB por minuto);
valores de sampleamento: de -32768 a +32767.

No disco, os dados são armazenados em setores de 2352 bytes cada, lidos a uma taxa de 75 setores/s. Sobre isso são adicionados dados referentes a EFM, CIRC e assim por diante, mas estes dados geralmente não são expostos pelo dispositivo responsável pela leitura do disco. Por comparação, a taxa de bits de "1x" é definida como 2048 bytes/setor × 75 setores/s = exatos 150 KiB/s = cerca de 8,8 MiB/min."
O DVD áudio, que não segue esse padrão, usa taxa de 48Kbits. Mas vejam só (continuo depois desse texto):
Red Book
White Book (a derivative of Red Book) is a constant-rate linear format. Therefore the total storage time is fixed. DVD on the other hand is a non-linear medium permitting seamless playback of jumps. It acheives this via a track buffer which maps DVD's constant 11.08 mbit/sec user rate to a variable rate stream.
Red Book frame breakdown of user bits:
Each frame of Red Book audio data consists of 588 channel bits. Only 192 bits are used to store the audio stream
Field User bytes Comments
subcode 1 8 bits of subcode channel data
audio data 24 6 samples * 2 channels * 2 bytes/sample
FEC 8 RS rate of 3/4
TOTAL 33 bytes

frame channel bits:
Convert 33 user bytes into 8/14 code:
1 symbol/byte * 33 bytes * 17 channel bits/symbol = 561 bits Add 24 bits for the sync word + 3 merge bits = 588 bits

Bit rate calculation:
98 frames/sector * 75 sectors/sec * 588 channel bits/frame = 4,321,800 bits/sec
Channel rate.............................4,321,800 bits/sec
after channel demod................1,940,400
subcode rate..............................58,800
error correction rate (FEC).....470,400
user rate after FEC removal...1,470,000

O que eu marquei em vermelho é o que vc tem dentro do CD.
Por questões de segurança, várias cópias da mesma faixa estão em diferentes pastas demtro do CD. Pra ser mais exato, 6 cópias. A música é copiada pra 6 pastas, com bitrates diferentes e ainda por cima em stereo E mono. Quando chegou o SACD, os caras modificaram isso e conseguiram colocar maiores taxas. Tais garantias só eram necessárias na pré história dos players. Eu tinha no Win98 uma dll que abria o CD do jeito que ele era, ou seja, os arquivos CDA que todo mundo enxerga, mas que são só referências e duas pastas: Stereo e Mono. Dentro de cada uma, seis pastas com as respectivas cópias de cada música em diferentes taxas de amostragem. Isso é um desperdício de espaço. No final tudo em WAV, que segue o padrão do audio CD ou vice versa.

Quanto aos padrões de compressão.
O formato ZIP (que é compactação), cria uma tabela (interna ao formato) onde ele exclui repetições. Se for um texto, ele pega o primeiro A que vc escreveu e quando aparecer outro ele simplesmente coloca uma marca de "outro". Essa marca, ou referência é menor do que o próprio caracter. Isso funciona parcialmente no áudio (dá pra ZIPar qualquer arquivo de áudio). A "revolução" do MP3 é que era um arquivo compactado que funcionava (eu tinha algo assim pro cliper e tinha o nome de Diet). Vc compacta mas consegue ouvir, o que é impossível com o ZIP ou RAR.
O MP3 faz algo semelhante ao que o ZIP faz, mas como ele tem que deixar o "A" no lugar, ele tira o que os técnicos consideram algumas "gordurinhas". Nessas "gordurinhas" estão todos os detalhes e na maioria dos casos os imperceptíveis harmônicos que fazem a grande diferente. Essa história do harmônico dá um tratado à parte. Como o MP3 é um arquivo muito menor do que o WAV, foi aceito em larga escala, mas... diferente do ZIP, quando vc transforma um MP3 em WAV, ele não recupera o que se perdeu. Pq há perda de qualidade no MP3 e aí é que entra o FLAC. Loss less não é sem perda é com MENOS perda. Um arquivo de FLAC pra WAV apresenta maior semelhança com o arquivo original do que o MP3 ou o OGG.

A maioria dos conversores diz ser o melhor mas é uma tremenda mentira, pq só há um conversor e ele é licensiando pela FraunHofer (se não me engano) os padrões semelhantes não são O padrão. Por definição, lei e contrato, MP3 segue o padrão deles. Quer melhorar? Invente um novo padrão e chame de qualquer coisa: MP4 (por exemplo).

Por falar em MP4, peguemos o próprio. O WAV do video (no mundo PC pelo menos) é o AVI. Só que em cima do AVI colocaram o DIVx que é um AVI compactado (seria o FLAC pra video). Bem, se vc pega um filme do DVD (que não passa de um arquivo MPEG2) e compacta pra outro formato na mesma resolução, o que acontece? Ficam aqueles quadradinhos (pixels) pentelhando a gente. Como é visual e todo mundo mais ou menos enxerga no mesmo padrão, é fácil notar (mas tem gente que nota e não repara) no áudio é a mesma coisa, mas muito mais gente não repara. Pergunte a quem ouve clássico se o cara gosta de ouvir MP3 no equipamento dele ou se ele ouve MP3 no equipamento HighEnd dele? Nem pensar. Seria como assistir um video 640x480 na tela do cinema. Quem está com TV de LCD ou Plasma, ou mesmo os novos monitores, já reparou que certos arquivos de filmes ficam uma "M" na tela cheia.

O que a indústria quer é que ouçamos de forma errada, porque de forma tb errada, a indústria acha que é isso que queremos ouvir. Com os novos formatos, existem novas possibilidades, mas vejam só: isso tudo era em um tempo em que tínhamos pouco espaço disponível pra armazenar qualquer coisa. Hoje, temos facilmente 1/2 Terabyte. Pra que comprimir?

Outro exemplo: todo mundo adora o formato JPG pra retrato. Pergunte a qualquer fotógrafo com um mínimo de conhecimento o que ele acha. Ele só quer saber de RAW, que seria o WAV dele. Eles conseguem provar isso com facilidade colocando uma foto JPG e um RAW da mesma foto. Todos veêm o resultado, mas ninguém OUVE, ou consegue ouvir duas músicas simultânemente.

Existe uma regra que é simples: COMPRESSÃO = ALGUMA PERDA. Seja no que for. Só há compressão sem perda quando vc usa um compactador (aí nem seria compressão e sim COMPACTAÇÃO) que "desmonta" o arquivo, como ZIP e RAR. Não sei pq isso me lembrou Joranda nas Estrelas e o teletransporte. É como se vc quisesse conversar enquanto suas moléculas estão desmontadas.

Espero que possa ser útil a alguém.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O que será do CD (mais uma vez)

Esse assunto parece inesgotável. As vezes acho que estou andando em círculos, mas como meus antepassados usavam essa forma de raciocínio (e se deram bem), não há mal em seguir assim.
Partindo de uma entrevista do Gilberto Gil de que a "Internet é didática", tiro por mim: os artistas já aprenderam (não sei o Gil).
Todo mundo está com trabalho em sites de downloads, porque o que mudou mesmo foi a forma de distribuir, não a forma de compor.
Eu ainda lanço o CD porque é assim que eu consigo chegar nos iTunes da vida e receber minha grana mensalmente.
Pra mim é muuuuito melhor do que a venda de CDs, mas (algum)as pessoas ainda gostam de ter alguma coisa nas mãos (sem maldade, por favor).
As gravadoras é que tem um problema. O problema é realmente delas.
Se em meados dos anos 80 eu e meu grupo sonhávamos em ter um contrato com uma delas, hoje (se estivéssemos juntos) com certeza teríamos lançado o CD, do mesmo modo que eu fiz, e ainda teríamos a vantagem dos shows, coisa que faz tempo eu não corro atrás.
Eles é que tem que aprender com a obsolência deles. Não foi a música ou nenhum artista que ficou obsoleto, foram eles e a máquina que eles montaram, que de repente veio por terra.
Outro dia estava lendo em uma revista da terra do Zeca e do Lanza que os jornais se sentem ameaçados pelo rádio. Um leitor dizia que não ia comprar o jornal pq tinha as informações e notícias que ele precisava no rádio. Quem pensou que justo o rádio é que iria ameaçar os jornais?
Insisto que estamos em um período de transição e que temos que olhar para o lado pra saber o que vai acontecer.
Os jovens baixam música pra seus iPods, mas muita gente ainda compra CD.
O que vai acontecer? Eu não sei, mas sei que estamos em um período de transição onde a indústria fonográfica que conhecíamos já era. O que virá a seguir ninguém sabe ao certo, depende de muitos fatores.
Lá em 1980 havia um aparelho maravilhoso que servia pra comunicação rápida e que só alguns iniciados, com curso de especialização sabiam operar. Hoje ninguém mais sequer lembra do Telex.
Ainda nos escritórios da épocahavia um setor, responsável por tudo o que saía escrito oficialmente de um departamento. Hoje um setor de datilografia é no mínimo anacrônico. Os datilógrafos viraram digitadores e concentrados em um único setor das empresas. Cada um que digite seu próprio documento em um processador de texto e use o email pra comunicação rápida ao invéz do Telex.
Nós do pequeno Universo progressivo não sabemos como os artistas lançaram seus albuns conceituais.
Eu não imagino como as orquestras vão lançar suas versões da 5ª Sinfonia.
Portanto, como diria o mestre Alfred. "Quem viver verá!".
[]s
Alex

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Considerações (3)

Essa questão dos preços, das idéias e da comparação do período industrial com o pós industrial ou Era da Informação (leia a parte 1 antes de se aventurar nessa aqui), foi fruto de uma conversa em uma as listas que participo.
Eu sou categórico ao afirmar que o futuro já está aqui. Não estou usando roupa justa de malha nem as portas da minha casa se abrem como em Jornada Nas Estrelas, mas o meu celular tem quase tantas funçoões quanto o intercomunicador do Sr.Spock.
Na minha bancada, bem aqui na minha frente eu tenho: um rádio de pilha, um gravador digital, um cachimbo, telefones sem fio, celulares, um relógio de pilha, um copo com canetas, monitores de LCD... igual você. Garanto que na sua frente, convivem facilmente o passado e o presente. O futuro está vindo a cada instante, tão devagar que não nos damos conta e tão rápido para que só percebamos ao acordar.
O mundo não está tão diferente quanto eu imaginei que estaria quando saí do cinema com meu avô depois de assistir "2001 Uma Odisséia no Espaço". Tudo bem que a empresa aérea do filme faliu, mas nada, absolutamente nada do que está ali aconteceu.
Por outro lado, muita coisa mudou. Podemos ter acesso a informações de uma maneira mais rápida do que nunca, apesar de que a nova geração não se importa muito em guardar as informações que são geradas agora.
Com certeza existem muitas facilidades. Coisas que eu odiava, como fila de banco, hoje são literalmente coisa do passado. Mesmo assim, o caixa que está sentado atrás do banco que eu não vou, apesar do computador na frente dele, se sente igualzinho ao cara que atendia meu avô no banco 30 anos atrás.
Fica difícil criarmos um paralelo. Podemos ver que certas facilidades melhoraram a vida das pessoas e trouxeram maior agilidade para pesquisas importantes na área da saúde, mas com isso tudo ainda é difícil prender um político corrupto, um empresário sonegador de impostos ou um batedor de carteira. Tudo como há 40 anos atrás. Só o que posso dizer é que o batedor de carteira perdeu seu charme. Se antes ele era um cara ousado, ágil e até possuidor de uma certa ética, tornou-se com o passar dos anos em um esfomeado e drogado que precisa fazer o que faz pra pagar o vício.
Me lembro de um velho amigo comentando comigo que anos atrás havia a figura do "vagabundo", aquele que não trabalhava porque era preguiçoso, porque era "da malandragem", ficava nas ruas para os pequenos golpes. Hoje está tudo igual, só mudou como o chamamos. Ele agora é "desempregado" e se alguém arrumar um emprego pra ele devem aparecer duas dúzias de ONGs pra defender o direito dele de ficar "desempregado".
Diante dessas loucuras, a Casas Bahia, o Ponto Frio, o Magazine Luiza, as Lojas Americanas e tantas outras, vendem computadores. Ooops, esqueci que os supermercados também estão vendendo eles. Bem, cá estamos naquele imenso supermercado, com um vendedor que sabe tudo sobre radinho de pilha, que não pode pagar pelo que está vendendo e que não tem a menor idéia sobre o que seja "otimização de recursos". Esse cara vai vender aquilo que o gerente dele mandou. Ele não é louco de discutir. Assim que alguém se aproxima do notebook lindamente exposto longe da seção de carnes, pra que o cliente se sinta privilegiado de estar ali, quando muitos se sentem bem exatamente por poderem estar na fila da carne, mas isso é outra história. O cara vê o notebook e recebe as informações que estão escritas na etiqueta, mas que o vendedor já decorou, o que faz parecer que há um especialista atendendo-o. O consumidor escolhe o computador como escolhe o carro. Tem que ser o mais novo, o com mais poder, com mais memória, mais cores, a maior tela e o preço que ele possa pagar. Não importa se ele vai usar todo esse poder de fogo ou não. Pra ele interessa que vai dizer pros amigos que tem o mais moderno. Fantástico. Bom pra ele que precisa medir o tamanho do pau pra se sentir melhor.
Esse mesmo vendedor poderá estar na semana seguinte, vendendo máquina de lavar se a oferta da outra loja for melhor. Usará sua mesma tática com as donas de casa. Coitadas...
Mas o cara tá lá com seu notebook... tá lá com seu notebook... e não pode fazer nada, porque ele precisa de programas. No dia seguinte no escritório ele pega o disco original do pacote de aplicativos que usam por lá e instala no seu note. Quando ele desce pra almoçar, um cara na rua oferece um CD com o último jogo e na esquina seguinte outro cara oferece a versão mais recente dos aplicativos que ele acabou de pegar no escritório. "Uau! - ele pensa - terei uma ótima noite!"
Claro, vai poder se divertir enchendo o note de bagulhos desncessários, mas mais importante: ilegais.
Porque será que ele não comprou o pacote de aplicativos e o jogo? Porque é caro? Com certeza. Se você comparar o preço do hardware com o preço do programa, vai ver discrepâncias enormes. Um programa de arquitetura pode custar US$2000 e um pacote de aplicativos uns US$250. Só aí já chegou no preço do note. Acrescente R$450 do preço do Sistema Operacional (dificilmente conseguem vender o alegre pinguim em um supermercado) e temos outro notebook. Precisa ser assim?
Gostemos ou não, a Microsoft praticamente detém o monopólio dos SO. Pra onde nos viramos está o tal Windows e não temos alternativas. Se todos precisam usa-lo, porque ele custa esse preço? Não estamos em um mundo globalizado? Ela não vai vender esse mesmo produto, com pequenas adaptações, no mundo todo? Ela cobra esse preço porque ela não sabe quanto vale o Windows.
Reparou a frase? "Quanto vale"? É como avaliar o teto da Capela Sistina (não que eu esteja comparando Michelangelo e Bill Gates) mas é algo cujo preço está além das tintas, perdão dos bytes e das pesquisas.
Não se paga um valor justo por nenhum software. O Windows eatá aí há muitos e muitos anos e o que foi gasto nas pesquisas, como defendido por alguns, já foi pago. Hoje, a Microsoft precisa pesquisar e desenvolver como meio de vida. Não se trata de "busca por conhecimento" mas a busca da sobrevivencia. Se não fizer isso morre.
Ao contrário de um automóvel, um software não precisa fazer alterações cosméticas de ano pra ano. Se apenas corrigir os erros (bugs) já está muito bom. Mas claro, há a concorrência e ela faz coisas que esse aqui não faz e porque não acrescentar isso em uma revisão? Claro, será ótimo. Enfrentar a concorrência requer uma boa visão do mercado, mas não me parece que o Linux já seja um concorrente ameaçando a hegêmonia do Windows.
Voltamos aqui novamente à composição dos preços.
Não quero entrar nas extensas e complicadas planilhas que poderiam ser feitas. Não quero entrar também na avaliação da marca. Quero apenas dizer o seguinte: é caro. Qualquer software vendido comercialmente por uma grande softhouse é caro.
Centenas de "softhomes" (softhouses domésticas geralmente de um homem só) fazem excelentes programas e os colocam no mercado por US$15,00. Um preço bem razoável e acessível. Alguns desses programas estão por aí há mais de 10 anos. Qual o truque?
Não há truque. Só não há um prédio cheio de gente, só não há empresários gananciosos que nem são do ramo.
Qualquer semelhança com a indústria fonográfica não é mera semelhança, é vergonha mesmo. (continua?)

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Considerações (2)

Lá vou eu de novo...

Viemos de um período industrial, onde o que importava era fabricar, industrializar. Saíramos de um periodo agrícula, onde havia plantio e cultivo, safra e entre-safra. Naquele periodo industrial logo se pensou que não haveria entre-safra. Poderia se produzir sempre, ao contrário das cenouras (só pq lembrei do Pernalonga) que não crescem no inverno. Mas não era bem assim. Havia também a entre-safra dos insumos. Havia o problema da mão de obra. Resolveu-se parte de tudo isso com a globalização e os robôs.

Mas com a globalização veio a possiblidade de fabricar em outros lugares (leia-se Oriente) e pra lá foram. Não era mais importante o fabrico, era sim a idéia, o pensamento, a criação, a informação.

Adentramos pois a era da informação valorizando o pensamento em detrimento do fabrico, mas o que acontece com o pensamento?

Ele deve ser usado pra criar algo. Cria-se portanto um produto nos EUA que vai ser fabricado na China e vendido na Europa. Perfeito.

Globalização, avanço científico mas temos ainda resquícios do passado.

Notóriamente a China tem mão de obra barata e isso nos faz lembrar as fábricas inglesas de dois séculos atrás se valendo até do trabalho infantil. Tá, mas se o produto não precisar ser industrializado dessa forma? Se o produto for música? Eu crio, gravo (seja lá como for) e coloco na internet onde é baixado e pago pelos downloads. A música passa a ser paga diretamente ao artista, ou pelo menos de uma forma muito semelhante ao que acontecia com os compositores e músicos das cortes. Tá, isso é só uma constatação.

Já que estamos na era da informação, vamos nos aprofundar mais um pouco e agora me importa como foi que eu gravei aquela música, só que eu vou mudar de exemplo propositadamente e falar dos escritores.

O cara tem uma idéia e constatou que se for escrever à lápis vai ser difícil mandar pra revisão, se for usar uma máquina de escrever fica legível mas ele mesmo não pode alterar do jeito que gostaria. Como último recurso ele se vê fadado a usar um computador. Ele vai em uma loja de eletrodomésticos e compra um que lhe atende ou que o vendedor precisava vender. Feito isso ele chega em casa e descobre que precisa de algo melhor pra escrever do que o processador de texto que veio com o sistema operacional. O que ele faz? Ele usa a internet pra procurar um programa. Descobre um do seu agrado e compra. Paga com seu cartão de crédito direto no próprio site do fabricante e baixa o programa para seu disco rígido, instalando-o.

Como vcs podem ver, foi tudo muito interessante e feito de uma forma muito moderna. Onde está o arcaico? A composição do preço do programa. Se alguém aqui já trabalhou com isso, sabe como são calculados os custos, como são estimadas as vendas e os lucros desejados. Quando você lê sobre quantos anos foram gastos na pesquisa de um determinado produto, existe uma fórmula estranha aplicada, porque a pesquisa poderia ter dado em nada, como também ter vários produtos derivados da mesma pesquisa.

Primeira conclusão: os preços hoje ainda são calculados da mesma forma, com as mesmas fórmulas usadas nos produtos da era industrial. Isso vale pra tudo.

Precisamos agora de um outro exemplo, ou de uma particularização quanto a um tipo de produto. Não, não vou usar softwares, mas sim remédios. É sabido e notório que a indústria farmacêutica gasta milhões com pesquisa e é amplamente recompensada, sendo uma das indústrias mais lucrativas. Pois bem: qual o preço de um remédio? Não é um bem, é algo que se usa quando necessário e que depois de um certo tempo pode ser ultrapassado ou substituído por algo melhor.
Essa descrição vale para um software? Sim.

Os custos em pesquisa são iguais para as duas indústrias? Não.

Aonde eu quero chegar com isso? Não é a pesquisa que torna um produto, como um software, caro, mas sim a forma retrógrada de como os custos são calculados.

Alguém falou que a Microsoft suplantou a IBM em tamanho. Será mesmo? A IBM tem em seus laboratórios (pelo menos) 5 ganhadores de prêmios Nobel. A Microsoft nem chega a ter laboratórios do mesmo nível, de pesquisa pura. A IBM mudou o foco do seu negócio para o B do seu nome. Com isso ela passou a atuar muito mais no campo das idéias, da organização e da venda de serviços, do que na de máquinas, como era nos anos 80. Parece-me uma empresa muito mais antenada com os dias de hoje do que a antiga parceira.

Pra fechar: a Apple, fabricante de hardware e software nos moldes antigos, tem como presidente um cara que não faz outra coisa a não ser fomentar novas idéias. Steve Jobs sabe que ao contrário dos anos 80, não pode ficar parado em um único produto em uma única idéia. São tantos produtos, tantas idéias, que em outros tempos correria o risco de ser chamada (a Apple) de uma empresa sem identidade. Mas hoje, mas do que nunca, a identidade é exatamente essa: idéias. Uma empresa que pretende surpreender pela quantidade de idéias que traz ao público. (Quanto será que Steve Jobs vai me pagar por esse artigo?)...(continua)

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Considerações...

A revolução industrial acabou.
Iniciamos uma nova era que é chamada por vários sociólogos como Era da Informação.
Diante disso, os antigos conceitos estão indo mesmo por terra.
Antes quem trabalhava muito era o operário. Hoje o operário tem seu horário certo, enquanto o burocrata, o homem da informação tem um horário pra lá de incerto, já que ele pode estar trabalhando em qualquer lugar e pode ser localizado por celular, email, etc.
O que virá é o que está vindo.
A revolução da computação não é nada. Muito além já havia sido previsto e estava acontecendo em laboratórios e universidades pelo mundo antes mesmo de chegarem aos meros mortais. Como essas informações tramitavam no mundo acadêmico, eram acessíveis àqueles que estavam com meio olho aberto.
O fato de todo computador precisar de um sistema operacional e de que cada pessoa que compra um computador precisa comprar o SO é tão ultrapassada quanto os computadores de grande porte. Isso era feito exatamente com eles e pra eles. Não vale para o computador pessoal, como começou a ser chamado nos anos 70.
O computador como existe hoje é um dos eletrodomésticos mais indomáveis da casa. Tal e qual as antigas televisões que precisavam de sintonia (acho que pouca gente lembra disso). Quando o SO era o DOS a situação então era muito pior.
Quando a TV surgiu, era uma cópia do rádio. Um rádio com imagens. Os problemas gerados, ainda não foram integralmente resolvidos. Alguns programas famosos de TV podem passar no radio sem adaptações. Na verdade o programa do Jô passa no rádio e não faz muita diferença.
A TV colocou imagem no rádio, mas teve que absorver o cinema pra começar a dar certo. Mesmo assim as enormes diferenças de programas de cada emissora é notória.
Programas?
Tal e qual os computadores, as televisões precisam de programas. Hoje Google e Microsoft começam a desenvolver programas como os da TV de sinal aberto. Você conecta e usa o que está lá. Igualzinho a ligar a TV e assistir o que está passando.
Aí, alguém inventou a TV à cabo, que originalmente partia do pressuposto da segmentação e variedade. Quando exportaram perdeu-se grande parte disso, principalmente em segmentação. Muitos canais à cabo parecem TV aberta. É o similar dos programas convencionais, shareware ou não.
O problema de não se criar nada absolutamente novo, ou pelo menos desse hábito, está no cerne de todos os problemas. O teclado em que escrevo isso é parecidíssimo com o da máquina de escrever que meu avô usava no jornal, o monitor onde leio é a cara da TV que minha avó acompanhava as novelas.
Pensem no que o avô de vocês reconheceria se voltasse aqui hoje (obrigado Prof.Longo). Salas de aula? Exatamente iguais... Você pode explicar pra ele que os computadores encolheram tanto que podem ficar embaixo da mesa (ou até em cima). Um CD não assusta tanto, mas mostre um pen-drive, uma máquina digital! Meu avô é um excelente parâmetro porque era professor de eletrônica, portanto alguém dado a alguns experimentos, como trancar um radio transistorizado em um laboratório pra provar aos alunos que funcionava.
Pra ele, ouvir música de graça era no rádio. Meu filho, portanto bisneto dele, quando faz seus downloads, está fazendo o mesmo o que bisavô fazia. Procurar por uma estação na rádio é como dar um "search" em um site ou torrent.
O problema está no outro lado. O lado de quem produz. Se com o rádio os teatros esvaziaram, por outro lado chegou-se mais longe, mais gente ouvia aquela música. Mais longe ainda eu consigo chegar com minha música (o mais distante que consegui foi a Sibéria e já achei muito bom). Segundo Elis Regina, tive a mesma remuneração que ela com a venda de discos, ou seja, quase nada. O que mudou?
Mudou que os executivos estão trabalhando mais e ganhando menos. Está mais difícil ter lucro.
Quanto aos softwares e à pirataria, é preciso repensar todo o sistema. Pequenas softhouses conseguem sobreviver com poucos e bons aplicativos. As grandes, assim como as antigas Gravadoras, reclamam muito e quanto mais reclamam, mais conseguem promoção pra seus produtos. É legal pagar por um programa legal, mas a gente se acha um babaca quando temos que pedir ajuda a um amigo já que o tão propalado suporte - suposta vantagem vendida pelos Gates da vida - não acompanha a velocidade dos processadores que equipam nossas máquinas... (continua acima)

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Percebendo o Tempo

A percepção do tempo é interessante. Meu filho de 5 anos acha que o amanhã está muito longe e que 5 minutos são suficientes pra ele assistir um DVD inteiro. Mas isso foi há 3 meses atrás. Hoje ele já pede “só 24 minutos” antes de ir escovar os dentes pra dormir. É apenas um chute. Poderia ser 4 ou 44 minutos. Mas como ele se sente bem contando até 100, 29 parece um número razoável pra falar ao pai.

Pelos idos dos aos 70, eu queria que o tempo passasse rápido pra chegar o dia seguinte ou muito devagar pra que o dia da prova, na semana seguinte, não chegasse nunca. Minha avó dizia que o tempo passava muito depressa, cada dia mais rápido.

Será que alguém algum dia teve razão? Claro que tudo não passa da nossa percepção. Do nosso dia a dia e de como encaramos a vida.

O tempo caminha de forma imutável e nós podemos acelerá-lo ou ralentá-lo à nossa vontade, desde que consigamos controlar nossas ansiedades.

Quando algo muito bom está pra acontecer, costumamos contar os dias, horas, minutos pra que chegue logo e isso só faz nos afastarmos no tempo. Quando algo que não queremos se aproxima, procuramos esquecer e “deixar o tempo rolar”. Parece que demora mais, mas chega.

Porque não inverter?

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Antiguidades...

originalmente publicado em 12/12/2006

Essa é uma conversa antiga sobre atualização de hardware, synths e outros apetrechos, mas começa com as memórias dos computadores, que mudam na mesma velocidade que tudo em volta.
“Esse negócio das memórias não me parece o que parece.
Eu como fabricante, posso decidir por um produto que me atende bem, que faz o serviço e não é mais caro.
Passado um tempo aquela peça fica mais cara em algumas partes do mundo. Será que em todas?
Sei lá, acho que não dá pra comparar com os computadores diretamente.
Depois que eu soube que os Notes a bordo da Discovery eram 486 nada mais me espanta.
Tenho um amigo, da área de informática que costuma dizer que o melhor é ter o computador mais avançado com a versão mais antiga do programa que você quer executar. Nesse caso (extremo) você terá a melhor performance.
Desde que desinstalei todos os jogos das minhas máquina e comprei um PS2 pro mais velho, tudo ficou mais calmo.
Não temos porque fazer questão de ter a máquina mais poderosa, dual core, dual memory, dual cooler, triple stupid, etc.
Estive na loja de informática de um amigo e lá estava um cliente comprando seu dual core Intel. Perguntei o que o cara ia rodar nessa máquina e ele falou que era pra navegar (oops) escrever (han?) e usar planilha (será?) "porque eu sou engenheiro". Só pra sacanear perguntei se ele não ia colocar nenhum "joguinho". Sabem o que aconteceu? O cara sabia todos os jogos "quentes" do mercado, o que cada um precisava, quem precisava do que e pra que. Fiquei impressionado. Não por ele discorrer sobre os jogos, mas por ele estar montando uma máquina dessas, sem ASSUMIR que é pra jogar. Pelo menos assuma. O dinheiro não é dele? Qual é o mal em dizer que ama jogar no computador? Sei lá, não entendo.
Mas acho que essa barbárie de atualizações desenfreadas não se aplica à tecnologia dos synths. Se fosse assim, um VCF já teria sido superado. Acho que é uma questão física... ou elétrica... ou eletrônica... não importa, com certeza se trata de um outro mundo. Um mundo muito diferente do meu e do qual não gosto de me aproximar nem um pouco.
um abra

O Tempo (1)

originalmente publicada em 29/11/2006

Poetas pelo mundo afora já cansaram de dizer que “O tempo não pára no porto, não apita na praia, não espera ninguém” (Carlinhos Vergueiro), o que é a mais pura verdade. Entretanto os “jovens de outrora” lá pelos idos dos anos 60, diziam que tinham que “curtir o momento”. Existe alguma afirmação mais certa do que outra? Claro que não. Ambas são corretas. O tempo passa por nós e nós passamos pelo tempo. Não adianta citarmos a física ou a matemática. Trata-se de uma questão únicamente perceptiva. Cabe a nós perceber como as coisas se dão. Tem dias em que corremos atrás do tempo e em outros ele passa por nós. Mas a situação pode ser desagradável. Se estivermos sentados na praia, podemos quase sentir a brisa do tempo passando por nós. Da mesma maneira, quando estamos fazendo uma prova difícil, sentimos seu vento gelado em nossa testa. A diferença é como queremos que o tempo esteja. A frase é péssima, mas vou melhorá-la dizendo o seguinte: queremos sempre o tempo a nosso favor. Gostaríamos que o relógio andasse mais devagar em ambas as situações, mas ele nunca se altera. Já a nossa percepção sim. Se conseguimos saber aproveita-lo, dobra-lo a nosso favor, podemos tê-lo como nosso mais poderoso aliado. Entretanto, se não lhe damos caso, se o deixamos de lado, se não nos preocupamos com ele, será quase certo que teremos o mais cruel dos inimigos, voltando-se contra tudo e contra todos, mas principalmente contra nós. Quer driblar o tempo? Aprenda com ele. Aprenda sua constância. Como diria algum general dos exércitos de Alexandre da Macedônia: “Aprendamos com nossos inimigos”. Hoje foi curtinha, mas isso é só a introdução de um assunto que vai se estender por muitos posts.

Guerra e Paz

publicado originalmente em 13/02/2006

O caso do menino que foi arrastado por marginais no subúrbio carioca gerou uma onda de indignação. Infelizmente ele logo será esquecido. Enquanto for notícia estará nos jornais, mas só enquanto. Depois ficará relegado a algum recanto perdido da memória das multidões.
Enquanto isso não acontece, as pessoas relembram outros casos:
“O atual ministro não é o advogado de defesa dos filhos de magistrados que incendiaram o índio em Brasília há uns dez anos? Ou estou enganada? Minha memória às vezes me trai. Se for verdade, vocês acham que ele merece ser ministro da justiça? Que eu saiba, os monstros que incendiaram o índio estão livres, não é mesmo?”
Há justiça, ela pode até não acontecer nesse mundo, nesse plano físico, mas com certeza ela se fará sentir em outro nível.
“Lembram daquele monstro que entrou no shopping em SP e metralhou o pessoal que estava no cinema há uns dez anos ou um pouco menos? Há uma ou duas semanas eu soube que ele estava prestes a entrar em regime semi-aberto.”
Como está “aquele monstro”? Será que sua consciência está tranqüila? S pessoas chegam a afirmar que: “Vocês sabiam que daqui a poucos anos, muito poucos mesmo, esses monstros que trucidaram o João Hélio estarão na rua de novo? Sabiam que eles já tinham ficha criminal e condenação anterior?” Eu é que me pergunto se é perigoso fazer esse tipo de afirmação. Principalmente quando leio coisas assim:
“Quando é que vamos nos unir e começar a jogar coquetéis molotov nos Tribunais de (in) Justiça? Não adianta implorar, não adianta fazer abaixo-assinado, não adianta berrar, o jeito é usar o mesmo método dos facínoras que eles libertam: matar todos esses "magistrados" filhos da puta.”
Lembro-me logo dos tempos em que queimavam livros. Não acredito na violência como resposta à violência. Lembro sim, de Einstein, quando afirmava que os exércitos não eram necessários e que a existência deles revelava o lado belicoso, mesmo que se tratando só para defesa. Defesa?
A provocação está aí. Somos diariamente incitados a agirmos pelas próprias mãos quando não temos capacidade de discernir sobre o certo e o errado. Precisamos de paz. Almejamos a paz, por mais difícil que ela esteja. Almejamos por menos desigualdade social. Ansiamos por um mundo mais pacífico, mas será que nós o alcançaremos pregando a violência, a retaliação? Será que seria isso que o pequeno João Hélio, ainda cheio de vida ou mesmo agora em um outro plano queria ou quer para esse mundo? Como sempre são muitas perguntas e como sempre as respsotas não são nem um pouco fáceis.

Rótulo: Rock Progressivo

Recentemente (03/08/2007), aqui no Rio, um show de rock progressivo teve uma audiência pífia e muitos tentaram explicar porque tão pouca gente compareceu. Culparam a violência, a falta de comprometimento com o "movimento" e outras tantas coisas. Nada convincente. Um amigo mais ou menos em sintonia comigo, me enviou um email com a análise que ele fez do acontecido e é o que reproduzo a seguir. Mais abaixo está minha própria conclusão.
"Alex,
Resolvi "puxar" este assunto por ter uma opinião abalizada sobre o assunto.
Divulgação: independente de ter postado anúncios em Orkut, listas do Yahoo, distribuir panfletos em lojas especializadas e divulgar em sites e blogs, o fundamental é a qualidade das bandas envolvidas e o conhecimento delas pelo público alvo.
Quem conhece e gosta do único trabalho do Magnum Opus???
Pelo que pude acompanhar na lista Progbrasil pouquíssimas pessoas conheciam o CD da banda e seria muita pretensão esperar que alguém saísse de outros estados ou que morem longe para prestigiar o evento, a não ser realmente amigos ou clientes das pessoas envolvidas.
O próprio Daniel Klimec deixou uma cópia do seu novo trabalho na loja e mostrei a vários clientes que simplesmente detestaram o cd, sendo que alguns até estavam animados para ir ao show mas desistiram qdo ouviram os cds da banda.
Acho que o ideal teria sido incluir a banda num evento maior, abrindo para uma outra banda de maior envergadura e com isso divulgar o seu trabalho para um público novo....quem sabe até como banda de abertura de um RARF.
É muito otimismo achar que uma banda desconhecida e com apenas um trabalho (fraco) no mercado iria levar mais de 200 pessoas a um show-solo usando apenas os meios de divulgação citados acima.
Sobre o espaço da Vila do Rock é necessário ter os pés no chão e usá-lo apenas para eventos de médio porte e não para encontros semanais de apreciadores de progressivo....infelizmente esta turma começa tudo na maior empolgação e depois começam a broxar, sem falar que não dá para fazer este tipo de encontro todas as semanas...ninguém tem tempo e saco para falar das mesmas coisas semanalmente.
Quero deixar claro que estas opiniões não são apenas minhas e sim dos clientes que frequentam a minha loja e isso serve como termômetro destes eventos.
E por causa disso temo pelo sucesso do RARF 2007 pois o interesse diminiuiu radicalmente com a exclusão do Hawkwind do evento."
O rock progressivo FOI um movimento nos idos de 70. Ele hoje é só uma lembrança, um autêntico saudosismo daquela época. As bandas hoje podem ter influência do RP, como eu, mas fazer aquilo é outra história. Na minha opinião não deve ficar preso aos rótulos. Certa vez, Rick Wakeman (o mago dos teclados) disse que o melhor do RP na época foi libertar os músicos dos rótulos e é curioso estarmos agora presos a um rótulo que foi libertário. Isso já aconteceu antes e porque não aconteceria novamente? O RP não morreu, mas também não há motivos pra ser incensado como novidade. Há muito mais pra tocar e dizer sem ficar preso a ele.