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quinta-feira, 9 de julho de 2020

Vida e morte

Eu acho estranho essa relação das pessoas com a vida.

Desde criança a morte esteve perto de mim. Tão perto, que abraçar o “anjo da morte” (na filosofia Tolteca que ensino) não foi o mais difícil.


As pessoas se dizem apegadas à vida, mas tem medo de viver.


Falam que tem medo da morte, mas a cultuam de um tal modo que só a valorizam.


Os Toltecas nos mostram que o maior medo é realmente o medo de viver, não o de morrer.


As pessoas se vão e nós ficamos lamentando o que achamos que poderia ser feito depois. Deixamos para amanhã o que deveria ser feito hoje.


Nunca deixe de abraçar quem você quer abraçar, dizer que ama a quem você ama, porque no segundo seguinte, essa pessoa poderá não estar mais aqui.


Ninguém sabe a hora de cruzar o rio.
Ninguém sabe quanto tempo resta.
Não resta tempo nenhum.
Não temos tempo nenhum.


Só temos o *agora* e erroneamente achamos que ele vai se repetir amanhã, mas nada se repete. Os ciclos se sucedem, mas são apenas convenções para nos iludirmos de que há um “outra vez”. Não há “outra vez”, porque tudo é único, tudo é agora.


Se você não quer fazer agora, faça outra coisa, mas faça com consciência, sem pensar no que poderia estar fazendo de diferente, porque você não estará presente.


Esteja presente, sempre, no aqui e agora, porque é a única coisa que você tem, mas nunca é igual, a não ser o seu estado de presença.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Orar, mas orar certo.

Os indianos, há milênios, tem um modo de orar muito interessante.

Se eles querem saúde, eles não falam da doença; se eles querem dinheiro, eles falam de abundância e fartura e não da escassez; se eles querem algum bem material, eles focam em quanto aquilo será bom para eles e não na falta que aquilo faz.


Esse modo de orar e até de pensar é muito interessante.

João Paulo I, o Papa, alterou o ritual de exorcismo católico. Não atribuíram mais ao diabo, título honoríficos como "Príncipe das Trevas" ou qualquer outro, dentre outras alterações.
Logo lembrei dos indianos e seu modo de orar. Se você valoriza o diabo ou a doença, ou a falta de alguma coisa, você acaba fazendo crescer dentro de você exatamente esse sentimento do sofrimento, da carência. É muito mais do que atrair algo para si pensando obstinadamente naquilo, é pensar em como será bom estar são ou ter algo.

Os toltecas nos ensinam que se aceitarmos as palavras de alguém sobre estarmos com a aparência abatida e doentia, acabaremos ficando doentes. Imaginem então se só pensamos na doença, se não a tiramos da nossa mente - sabidamente pródiga em pensar bobagens para querer ser útil - com certeza acabaremos doentes, porque é isso, e apenas isso o que estamos atraindo para nós. A força do pensamento entenderá que é o que queremos e ficaremos doentes, nem que seja para desejarmos a saúde com mais afinco.

Quando oramos uma conhecida prece, dizemos "não nos deixeis cair em tentação", mas deveríamos dizer "nos mantenha no caminho da retidão". Percebem a diferença? Querer estar saudável é completamente diferente de não querer estar doente.

Novamente os toltecas, nos lembram do imenso poder das palavras. Elas podem atuar como magia branca ou magia negra. Nem vou perguntar qual a que você prefere.
Portanto, recomendo a praticarem a prece saudável.

Afastem, excluam deletem, eliminem as palavras negativas e criem suas próprias preces apenas com palavras saudáveis, capazes de trazer bons pensamentos, bons fluidos, beleza e energia para suas vidas.

ps: quando o governo decretar que não há mais o vírus, e pudermos estar juntos, os convido desde já a participarem do workshop *Os 4 Compromissos* - a filosofia tolteca, onde faremos uma imersão, por um dia inteiro, nos ensinamentos e na filosofia desses sábios.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Que caiam as máscaras.

Como muitos, não posso me dar ao luxo da quarentena.
 

Preciso sair para ir ao mercado, farmácia e toda a manutenção da casa.
Circulando como posso e onde posso, de máscara, sem máscara, a cada dia que passa, fico mais cético em relação à tudo. Como nos ensinam os Toltecas.

Estou aprendendo a ouvir ambos os lados.


Ouço os comunistas, os fascistas, os de esquerda, os de direita, os sãos, os loucos, os apavorados, os cautelosos, os desesperados, os calmos, os belicosos, os pacíficos, todos.

Percebo que ninguém sabe nada, como o moribundo para quem dizem que quando morrer, verá o paraíso ou o inferno, que voltará em outro corpo, que não voltará, que não há nada depois, que será levado para outro planeta...
 

Ninguém sabe a verdade.
 

Todos falam sem saber nada., mas, para meu espanto, de repente as pessoas são epidemiologistas e eu não sabia, virologista e eu não sabia, especialistas em UTI e médicos e eu não sabia.

Tantas pessoas, do nada, se tornaram especialistas em medicina, mas ninguém falou da saúde pública.

Antes mesmo de me formar como arquiteto e urbanista (como está no diploma) e trabalhar com projetos de habitações populares de baixa renda, professores e colegas de faculdade e (depois) de trabalho, tinham como principal preocupação, a ausência de foco do governo nas ações (já que palavras sempre existiram, e muitas) de saneamento básico, inexistente na maioria das cidades e municípios do país.

A discussão voltou no ataque do vírus influenza, que, por enquanto, matou mais do que esse novo, mas naquela época não precisou de quarentena, do mesmo jeito que no natal e no carnaval não houve necessidade de quarentena.
Não há como não ser cético quanto a tudo.
 

Nada vai me fazer crer sem provas, mas, como os Toltecas nos ensinam, ouço. Ouço tudo e todos, mas não me peçam para acreditar que parar a população no mundo todo foi absolutamente necessário.

Retornaremos a idade média ou retornaremos apenas ao ano 2.000, sem internet banda larga, sem celulares, sem mensagens instantâneas, sem Facebook, sem Instagram e sem WhatsApp?

Sou cético, mas sei que sem isso tudo seríamos muito mais manipuláveis.

 Não há mais um rebanho de 200 milhões de vaquinhas de presépio balançando a cabeça a tudo o que dizem.

Não há mais o monopólio da comunicação. O sociólogo italiano Domenico di Mazzi, diz que há muito deixamos a era industrial e entramos na era da informação. Quem detiver a informação e souber manipulá-la, terá o poder.

Não há como não ser cético, com tanta manipulação.
 

Que caiam as máscaras.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Silencio minha voz



Nesse momento eu me calo.
Silencio minha voz e ouço a voz de Deus.
Presto atenção nos ruídos da cidade.
Me conecto com os carros passando na rua,
com as pessoas andando na calçada,
com a eletricidade correndo pelos fios.
Deus está em tudo, inclusive em mim,
Que faço parte do todo.

Silencio minha voz e ouço a voz de Deus
Presto atenção nos sons do meu corpo
Me conecto ao meu coração pulsando sem parar,
Aos meus pulmões inflando e esvaziando,
Ao sangue correndo pelas minhas veias e artérias.
Deus está em tudo,
inclusive em mim,
que sou parte dele.

Que no próximo ciclo
Eu não tenha mais nenhuma opinião,
Que eu não tire mais nenhuma conclusão,
Que eu pare de criticar, julgar e opinar.
Que minhas palavras sejam apenas de amor,
mas não do amor hipócrita que pede pra si, pra mim,
mas do amor sincero que aquece o coração.
Que minhas palavras sejam poucas
mas que minhas ações sejam muitas,
sempre fazendo o meu melhor e
nunca levando para o lado pessoal.

Que o meu silêncio seja mais ouvido do que minha voz.
Que eu saiba escutar mais do que falar.
Que eu tenha cuidado naquilo que planto,
para que possa colher tudo o que preciso,
para me manter forte e sábio,
diante do meu pior inimigo, eu mesmo.
Que eu seja digno do grande milagre que é
Estar vivo.
 

Naad Devadip
(aka Alex Saba)

sexta-feira, 4 de março de 2016

A noite

A noite ouço a cidade
Ela pode falar sem o som das pessoas
Podemos conversar sem a pressa
das idas e vindas das pessoas,
sem o burburinho dos carros.

A noite posso ouvir
o mar acariciando a cidade,
o vento refrescando as casas
o asfalto espriguiçando

A noite posso fazer parte
das luzes que escondem as estrelas
da lagoa que reflete a lua

A noite posso ser
testemunha silenciosa
do imenso coração
que acolhe tantos outros.

- Naad Devadip