quinta-feira, 19 de maio de 2011

A linguagem, o falar e a cultura

Algo que aprendi a duras penas no Colégio Santo Agostinho nos idos dos anos 60, até 75 quando concluí o então Segundo Grau e ingressei na faculdade: não adianta querer inventar uma linguagem se não conhece outra. É preciso conhecimento para conscientemente subverter a linguagem, o significado das palavras e a grafia.

Chama-se ignorância - do sentido tão esquecido ignorar - o oposto: criar palavras inexistentes ou atribuir novos significados as existentes. O imigrante, que não conhece a língua, o faz por ignorância (não confundir com burrice) e muitas vezes por encontrar dificuldade na pronúncia por conta de sua lingua natal. Os que não tem/tiveram acesso às normas da linguagem também o fazem e criam regionalismos que transcendem sotaques. Da mesma forma, as gírias que compõe o dialeto de tribos diversas, não podem ser estendidas além do seu escopo original, salvo quando por questão de uso, adesão e transcendência temporal

terça-feira, 17 de maio de 2011

Semelhante atrai semelhante

Somente uma pessoa amorosa, aquela que realmente é amorosa, pode encontrar o parceiro certo.

Essa é minha observação: se você está infeliz você irá encontrar alguém também infeliz. Pessoas infelizes são atraídas pelas pessoas infelizes. E isso é bom, é natural. É bom que as pessoas infelizes não sejam atraídas pelas pessoas felizes; senão elas destruiriam a felicidade delas.

Está perfeitamente bem. Somente pessoas felizes são atraídas pelas pessoas felizes. O semelhante atrai o semelhante. Pessoas inteligentes são atraídas pelas pessoas inteligentes; pessoas estúpidas são atraídas pelas pessoas estúpidas.

Você encontra as pessoas do mesmo plano. Então a primeira coisa a lembrar é: um relacionamento está fadado a ser amargo se ele surgiu da infelicidade.

Primeiro seja feliz, seja alegre, seja festivo e então você encontrará alguma outra alma festiva e haverá um encontro de duas almas dançantes e uma grande dança irá surgir disso.

Não peça por um relacionamento a partir da solidão, não. Assim você estará indo na direção errada. Então o outro será usado como um meio e o outro lhe usará como um meio. E ninguém quer ser usado como um meio! Cada indivíduo único é um fim em si mesmo. É imoral usar alguém como um meio. Primeiro aprenda como ser só. A meditação é um caminho para ficar sozinho.

Se você puder ser feliz quando você está só, você aprendeu o segredo de ser feliz. Agora você pode ser feliz acompanhado. Se você é feliz, então você tem alguma coisa para compartilhar, para dar. E quando você dá, você obtém; não é de outra maneira. Assim surge uma necessidade de amar alguém.

Geralmente a necessidade é de ser amado por alguém. É a necessidade errada. É uma necessidade infantil; você não está amadurecido. É uma atitude infantil.

Uma criança nasce. Naturalmente, a criança não pode amar a mãe; ela não sabe o que é amar e ela não sabe quem é a mãe e quem é o pai. Ela está totalmente desamparada. Seu ser ainda está para ser integrado; ela ainda não está reunida. Ela é somente uma possibilidade.
A mãe precisa amar, o pai precisa amar, a família precisa banhar a criança de amor. Agora ela aprende uma coisa: que todos têm que amá-la. Ela nunca aprende que ela precisa amar. Agora a criança irá crescer e se ela permanecer presa nessa atitude de que todo mundo tem que amá-la, ela irá sofrer por toda sua vida. Seu corpo cresceu, mas sua mente permaneceu imatura.

Uma pessoa amadurecida é aquela que chega a conhecer a necessidade do outro: que agora tenho que amar alguém. A necessidade de ser amado é infantil, imatura. A necessidade de amar é maturidade.

E quando você está preparado para amar alguém, um belo relacionamento irá surgir; de outra maneira não.


Osho, em "Ecstasy: The Forgotten Language"
Fonte: Osho.com
Imagem por Rdoke

Não julgue a si mesmo


As pessoas lhe julgaram, e você aceitou a ideia delas sem nenhum exame minucioso.

E você está sofrendo por causa de todos os tipos de julgamentos das pessoas, e você está lançando esses julgamentos sobre outras pessoas.

E esse jogo ficou fora de proporção. Toda a humanidade está sofrendo disso.

Se você quer dar o fora disso, a primeira coisa é: não julgue a si mesmo.

Aceite humildemente sua imperfeição, seus fracassos, seus erros, suas fragilidades. Não há necessidade de fingir o contrário.

Basta ser você mesmo: "Isto é como eu sou, cheio de medo. Eu não posso ir para a noite escura, eu não posso ir para a floresta densa." O que há de errado nisso? — É apenas humano.

Osho, em "The Transmission of the Lamp"
Imagem por notsogoodphotography

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Osho - Medo do medo

As pessoas vem a mim, e dizem: nós temos muito medo, o que devemos fazer? Se eu der alguma coisa para fazer, elas vão fazer isso como um ser que está cheio de medo. Então a ação virá do seu medo. E a ação que vem do medo, não pode ser nada, a não ser medo. 


Então, por favor, não crie nenhum conflito. Se você tem um problema, não crie outro. Fique com o primeiro. Não lute e crie outro. É mais fácil resolver um problema do que o outro. E o primeiro problema está perto da fonte. O segundo vai estar removido da fonte. E quanto mais afastado, mais impossível fica resolvê-lo. Se você tem medo, você tem medo. Porque criar um problema disso. Assim, você sabe que você tem medo, assim como você sabe que você tem duas mãos. Porque criar um problema disso. Você tem apenas um nariz, e não dois. Porque criar um problema disso? O medo está lá. Aceite-o, se dê conta dele, aceite-o e não se preocupe a respeito. O que irá acontecer? Subitamente você vai sentir que ele desapareceu. E esta é a alquimia interior. Um problema desaparece se você o aceita. E um problema aumenta mais e mais em complexidade se você criar um conflito com ele. Sim, o sofrimento está lá. E subitamente, o medo vem. Aceite-o. Ele está lá, e nada pode ser feito a respeito.


E quando eu digo que nada pode ser feito a respeito, não pense que eu estou falando de pessimismo à você. Quando eu digo que nada pode ser feito a respeito eu estou lhe dando uma chave para dissolver aquilo. O sofrimento está lá. Ele é parte da vida e parte do crescimento. Nada é mal a respeito dele. O sofrimento se torna mal apenas quando ele é simplesmente destrutivo e não é nada criativo. O sofrimento se torna mal apenas, e nada é ganho através disso. Mas eu estou dizendo a você, que o divino pode ser ganho através do sofrimento. Então ele se torna criativo.


A escuridão é bela se a aurora vem dela rapidamente. A escuridão é perigosa se ela se torna interminável, se ela não leva à uma aurora, se ela simplesmente continua e continua.


E você continua se movendo em círculos. Um círculo vicioso. E é isso que está acontecendo com você. Para escapar de um sofrimento, você cria outro. Então, para escapar do outro, outro. E isso vai indo e indo. E todos esses sofrimentos que você não viveu estão esperando por você. Você escapou. Mas você escapa de um sofrimento para o próximo. Porque uma mente que estava criando sofrimento, pode criar outro sofrimento. Então você pode escapar deste sofrimento para aquele. Mas o sofrimento estará lá. Porque o sofrimento é a força criativa. Aceite o sofrimento e o atravesse. Não escape. Isso é uma dimensão totalmente diferente para se trabalhar. O sofrimento está lá. Encontre-o. Atravesse-o. O medo está presente. Aceite-o. Você irá tremer. Então trema. Porque criar uma fachada de que você não tem medo?

Osho, A bird on the Wing, # 1

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O espelho da meditação


"O espelho da meditação nunca mente. Não julga, é imparcial, inocente e nunca projeta nada.

Ele apenas mostra fielmente sua face original, a face que nós nunca mostramos pro mundo, a face que nós mesmo esquecemos. Portanto é possível que você mesmo não possa reconhecê-la na primeira vez! Mas não escape dela.

Encare-a e você vai saber reconhecê-la. Este confronto é o primeiro teste de coragem no caminho interior.”

Osho

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Faça da Felicidade um critério


Uma pessoa que vive por intermédio da intuição é sempre bem-sucedida? Não, mas ela é sempre feliz, seja ou não bem-sucedida. E uma pessoa que não vive intuitivamente está sempre infeliz, seja ou não bem-sucedida.

Ser bem-sucedido não é o critério, porque o sucesso depende de muitas coisas. A felicidade é o critério, porque a felicidade depende apenas de você.

Você pode não ser bem-sucedido porque os outros são seus adversários. Mesmo se estiver agindo intuitivamente, os outros poderão ser mais astuciosos, mais espertos, mais interesseiros, mais violentos, mais imorais. Portanto, ser bem-sucedido depende de muitas outras coisas; o sucesso é um fenômeno social. Você pode não ser bem-sucedido.

Quem pode dizer que Jesus foi bem-sucedido? A crucificação não é um sinal de sucesso, é o maior fracasso. Um homem crucificado aos trinta e três anos de idade — que tipo de sucesso é esse? Ninguém o conhecia. Apenas alguns aldeões, pessoas incultas, eram os seus discípulos. Ele não tinha posição, nem prestígio, nem poder. Que tipo de sucesso é esse? A crucificação não pode ser considerada um sucesso.

Mas ele estava contente. Ele estava totalmente feliz — até mesmo ao ser crucificado. E aqueles que o estavam crucificando viveriam por muitos anos, mas continuariam sendo infelizes. Então, na verdade, quem estava sendo crucificado? Essa é a questão. Aqueles que crucificaram Jesus foram crucificados ou foi Jesus quem foi crucificado? Ele estava feliz — como se pode crucificar a felicidade? Ele estava em êxtase — como se pode crucificar o êxtase?

Você pode matar o corpo, mas não pode matar a alma. Aqueles que o crucificaram continuaram vivendo, mas a sua vida não passou de uma longa e lenta crucificação — infelicidade, infelicidade, infelicidade.

Portanto, a primeira coisa que eu não digo é que, seguindo o guia interior da sua intuição, você será sempre bem-sucedido, no sentido que o mundo reconhece como sucesso.

Mas, no sentido que um Buda ou um Jesus reconhecem como sucesso, você será bem-sucedido. E esse sucesso é medido pela sua alegria, pela sua felicidade — o que quer que aconteça, é irrelevante, você estará feliz.

Não importa que o mundo diga que você foi um fracasso ou que o mundo o torne uma estrela de sucesso, isso não fará nenhuma diferença. Você será feliz qualquer que seja o caso; você estará contente.

Felicidade é sucesso para mim. Se você puder entender que a felicidade é sucesso, então eu lhe digo que você vai ser bem-sucedido sempre.

Osho, em "Intuição: O Saber Além da Lógica"

sábado, 23 de abril de 2011

As palavras de Harpo.

Ele compreendera perfeitamente o sentido das palavras de Harpo. Mas antes disso, é preciso olhar um pouco pra trás pra mostrar como ele chegou lá.

De vez em quando, algumas pessoas fazem perguntas absolutamente retóricas. Fazem isso em público, buscando mostrar o seu conhecimento e acabam nos dando uma mostra de quão pouco se conhecem. Outro dia, em uma roda ouvi o seguinte: "Quem aqui está no vazio?" Eram 14 pessoas que haviam passado as últimas cinco horas em meditação. Ninguém ali estava sequer próximo ao vazio. Ele se instalara em cada um. Como ninguém falava nada, alguém arriscou uma piada, procurando desviar a atenção já que não havia necessidade de palavras ali e falar qualquer coisa era demais. Mesmo assim ele arriscou e pediu que "Defina estar!" A resposta, as gargalhadas foi: "Se precisa definir é porque você não está lá!" e os risos continuaram.

terça-feira, 29 de março de 2011

Apenas eu e eu



“A sensação de eu e você separados é uma grande ilusão” - Bhagavan

Daí é interessante que os rastafari não admitem que haja você e eu. Só há o eu. Dessa forma, qualquer conversa só acontece com eu. Isso é fundamental e não só para eles. Se você se despe do seu eu e se aproxima do outro para conversar convencido de que ali está outra parte de você, sua conversa será de você para você mesmo e portanto parte do conflito do outro, com o outro não existirá. Sabedoria Indiana e Jamaicana.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Vou fundar uma religião

Faz um tempo que ando pensando nisso e depois de alguns momentos inspirados e algumas coincidências (pra quem acredita nelas) fez-se pois a luz do que há de importante. Ano passado comecei um projeto que seria um dos meus próximos discos, mas ele cresceu, principalmente dentro de mim. Meu coração começou a se abrir e então, depois de um encontro no Círculo de Fogo, veio. Porque não fundar uma religião? Porque não ajudar as pessoas a encontrarem sua própria espiritualidade?

O nome é bem simples: PESSOAS.

As bases serão simples: ver-Te claramente, amar-Te mais carinhosamente e seguir-Te mais de perto.

Os templos, ou igrejas, se preferirem, não serão problema algum e nem precisarão de nada especial. Cada Pessoa já é um templo, cada Pessoa tem dentro de si Deus e é isso o que essa nova religião irá cuidar: o Deus que habita todos nós. É simples. A simplicidade é o mais importante sempre.

Logo eu coloco mais detalhes sobre isso.

terça-feira, 1 de março de 2011

Osho - Seja você mesmo

Todo o meu ensinamento pode ser condensado nestas três palavras: seja você mesmo.

Uma ocasião eu citava Morarji Desai, que disse só ter uma ambição na vida: conhecer Deus e alcançar as alturas da verdade. Que mal Deus fez a Morarji Desai? Por que ele quer ir atrás de Deus? Não é suficiente ser ele mesmo?

Será que alguém tem que conhecer Deus? Por quê? Para quê? E o que você vai fazer mesmo que conheça Deus? Vai continuar tão tolo quanto é agora. E, mesmo que venha a se encontrar com Deus, o que vai fazer? Vai dizer: "Olá, como vai o senhor? Que tempo bom, não é?". E o que mais?

O que você vai fazer, afinal? Ao conhecer Deus, você não vai conhecer a si próprio. E uma pessoa ignorante que não conhece a si própria... como pode conhecer Deus?

O autêntico buscador nada tem a ver com Deus; ele quer conhecer a si próprio. Esta é a coisa mais fundamental — conhecer a si próprio —, porque a partir daí vem todo o conhecimento, toda a luz.

Se um indivíduo conhecer a si mesmo, ele conhecerá Deus também. Na verdade, só quando o indivíduo conhece a si mesmo ele é que ele se torna capaz de conhecer o supremo, porque bem no âmago de seu ser o supremo está presente.

Mas os religiosos dizem: "Conheça Deus! Tente experimentar Deus!". Essa é, como eu já disse, uma estratégia, a mesma estratégia para desviar você de si mesmo.

E essas pessoas como Morarji Desai pensam que são religiosas, mas não são nem um pouco. A pessoa religiosa só tem um anseio... e, lembre-se, não é uma ambição, é um anseio.

E há uma diferença tremenda entre ambição e anseio. Ambição é da mente, anseio é do coração. Pertencem a centros diferentes.

Osho, em "Filhos do Universo: Reflexões sobre Desiderata"
Imagem por Twistiti